web design software


Visions of Brazil in the literary works of  John Updike, John dos Passos and Errol Lincoln Uys 
Maria Jandyra Cunha,  Universidade de Brasília
 
Abstract

This study is part of a larger research project on visions of Brazil in literary pieces written by U. S. authors conducted by Cristina Stevens and al. (1999-2000). I particularly investigated the language used by three authors - John Dos Passos, Errol Lincoln Uys and John Updike - in their original work in English. 

This paper is based on the analysis of two linguistic phenomena - code-switching and borrowing - as they are presented in pieces originally written in English by U. S. authors. The research corpus was extracted from Brasil on the Move (1963) written by John Dos Passos, Brazil (1986) by Errol Lincoln Uys and Brazil (1994) by John Updike.

A complete version of this paper has been included in the book Quando o Tio Sam Coca o tamborim: uma visão transcultural do Brasil  (When Uncle Sam plays the tambourine: a transcultural vision of Brazil), organized by C. Stevens (Brasilia: Editora da Universidade da Brasilia)

CUNHA, M. J. C. . Visões de Brasil na Alternância de Código de Updike, Dos Passos e Uys.. In: Cristina Stevens. (Org.). Quando o Tio Sam pegar no Tamborim - Uma visão transcultural do Brasil. 1ed., Brasília: Editora Plano, 2000, v. 01, p. 75-108.

(Portuguese version only)

Visões de Brasil na alternãncia de código de Dos Passos, Uys a Updike

© 2000-2007 Maria Jandyra Cunha, Universidade de Brasília

Resumo.
 
Este trabalho fundamenta-se na análise de dois fenômenos lingüísticos - a mudança de código e o empréstimo - presentes em obras escritas originalmente em inglês por escritores estadunidenses. O corpus da pesquisa foi retirado dos livros Brasil on the move (1963) de John Dos Passos, Brazil de Errol Lincoln Uys (1986) a Brazil (1994) de John Updike.

1.Introdução.
Uma língua deve ser estudada no contexto do comportamento sóciocultural daqueles que a usam. No caso de análise de um texto literário, podem ser considerados não só o comportamento sócio-cultural das personagens mas do(a)s próprio(a)s autore(a)s. Para isso, é importante que certos fenômenos lingüísticos a seus significados sejam entendidos.

Neste estudo, analisarei os fenômenos lingüísticas da~ mudança de código a do empréstimo, presentes em obras escritas em inglês por autores estadunidenses. Focarei, em particular, os livros Brasil on the move (1963) de John Dos Passos, Brazil (1986) de Errol Lincoln Uys e Brazil (1994) de John Updike. Todos os três textos, que têm o Brasil como cenário, apresentam presença forte de empréstimos do português brasileiro e, em menor número, de mudança de código do inglês para o português.

É meu objetivo na primeira parte deste estudo mostrar algumas das visões de Brasil apresentadas pelos três autores, sendo que me deterei mais no livro de Uys, já que os de Dos Passos a Updike serão analisados detalhadamente por Tom Burns a Dilvo Ristoff, respectivamente, neste volume [1] Na segunda parte definirei os fenômenos lingüísticos em questão, usando ilustrações de textos literários. Na última parte, apresentarei exemplos retirados dos textos de Updike, Uys a Dos Passos.

2. O Brasil sob três prismas.
Ao discutir como um antropólogo escreve, Margareth Mead lembrou que as pessoas vêem sob o prisma de onde elas estão colocadas. Ninguém vê mais do que pane da verdade; depende-se da contribuição de outrem para que componhamos uma verdade mais completa [2] . As histórias ou estórias narradas por Uys, Dos Passos a Updike não são a verdade total de nosso Brasil, mas são partes dela ou, pelo menos, a verdade que eles enxergaram de onde estavam colocados em um determinado tempo. Deixando de lado o rigor da metodologia científica exigida em estudos históricos como diferença fundamental entre história e ficção, considerarei a ficção desses autores como pontos de vista sobre fatos que podem ser história.

Os três autores descrevem o Brasil a também escrevem seus textos em períodos distintos. O livro de Dos Passos foi publicado no início da década de 60 a mostra uma faceta do Brasil vigente na metade deste século. Já o livro de Updike foi publicado no início da década de 90 a visualiza o Brasil após o golpe de Estado de 1964, período este não coberto por Dos Passos. É o texto de Uys, publicado primeiramente em 1986 [3] , que descreve um período mais largo da história brasileira: do final do século XV até meados do século XX, mais precisamente o dia da inauguração da 'Nova Capital', Brasília, em 21 de abril de 1960.

Na linha de James A. Michener que escreveu um romance histórico sobre a África do Sul (The Covenant), Errol Uys - que, inclusive, assistiu Michener na elaboração de seu livro - conta a saga de duas poderosas famílias, os Cavalcanti a os Silva, que ao longo de cinco séculos se interligam tendo como pano de fundo episódios marcantes de nossa história Entre esses episódios estão a escravização e o massacre de índios brasileiros, as expedições dos bandeirantes, a Inconfidência Mineira, a Guerra do Paraguai, a abolição da escravatura, a rebelião dos Canudos, e a mudança da capital brasileira para o Planalto Central.
 
Começando em maio de 1491, o livro de Uys tenta situar o leitor na imensidão das terras brasileiras e a construção de uma diversidade cultural mostrando o encontro de diferentes grupos indígenas em suas migrações "antes do território ser descoberto por Pedro Álvares Cabral, em 1500, a serviço de Portugal" (grifo nosso) [4] . A movimentação dos primeiros habitantes vindo do Norte para o Nordeste, mais tarde substituída pela dos portugueses que espalhavam suas colônias a partir do litoral; dos jesuítas que abriam suas missões ao sul; dos bandeirantes que desbravavam a oeste; dos militares brasileiros que garantem a liberdade de navegação no rio Paraguai após a equivocada Guerra do Paraguai; dos negros vendidos pelos grandes proprietários de lavouras decadentes de açúcar a algodão para os fazendeiros do café do Sudeste após a extinção do tráfico de escravos; dos escravos em fuga até a abolição da escravatura; das expedições federais enviadas à cidade de Canudos para derrotar Antônio Conselheiro; dos candangos atraídos para o Goiás por conta da construção da 'bush capital'.

Para situar seu público-alvo inicial [5] - o leitor estadunidense - Uys se assessora de quatro mapas do Brasil. No primeiro mapa, ele mostra a movimentação de suas personagens no Brasil-colônia. No segundo, marca os principais lugares citados durante o período que vai "do século dezenove à moderna república". No terceiro, que é um detalhe da fronteira brasileira com o Uruguai, Paraguai a Argentina, indica os sítios de confronto na Guerra do Paraguai, de 1865 a 1870. O quarto mapa é talvez o mais simples embora um importante referencial: uma comparação do tamanho do Brasil, "3.287.195 milhas quadradas", com o dos Estados Unidos ("48 estados", sem o Havaí e o Alasca), "3, 022, 387 milhas quadradas."

A extensão territorial brasileira parece ser importante também para Dos Passos que, como Uys, se assessora de um mapa para ilustrar pontos geográficos mencionados - um recurso útil para situar leitores que pouco sabem sobre o Brasil além das cidades do Rio de Janeiro, São Paulo a Brasília. No livro de Dos Passos, o autor se movimenta por outros sítios: Petrópolis, Vitória, Vale do Rio Doce, Congonhas do Campo, Ouro Preto, Juiz de Fora, Governador Valadares, Goiânia, Maringá, Curitiba, Recife, Manaus, Belém, Ceará Mirim, Mossoró. De todos os lugares por onde passou, ele fez registros etnográficos ressaltando eventos em que teve papel de observador participante na condição de jornalista. Entretanto, há momentos em que o livro de Dos Passos parece ser uma série de anotações de campo sem grande sistematização, ficando difícil - mesmo conhecendo o Brasil - seguir sua movimentação.

Updike também faz com que a estória de amor de Tristão Raposo, morador de uma favela do Rio de Janeiro, e Izabel Leme, uma jovem da classe média alta da Zona Sul, ganhe cenários diversos no Brasil. Primeiro na rota tradicional Rio-São Paulo-Brasília, depois penetrando no interior do Brasil, rumo à exótica floresta tropical que é associada a magias a bruxarias - um mito herdado da sociedade puritana presente em A Letra Escarlate de Nathaniel Hawthorne e As Bruxas de Salem de Arthur Miller [6] .

Dos Passos não consegue fugir da idéia eurocêntrica de um Brasil 'descoberto', acidentalmente ou não, pelos portugueses. Repete múito do que se ensinava em bancos escolares brasileiros nos anos 50:

"Foi ... no ano de 1500 que Pedro Álvares Cabral,
velejando em direção a oeste na sua passagem para
as Indias tentando evitar as calmarias que tinham
afastado Vasco da Gama, encontrou-se, quase por
acidente, no Brasil" [7]
 
Exatamente como nos livros de Ciências Sociais que as crianças brasileiras aprendiam à época, Dos Passos enxerga a 'posse' das terras brasileiras pelos portugueses como uma ação tranquila, livre de conflitos: Cabral aqui chega e, através de um ritual cristão, apropria-se - em nome de seu rei - da terra dos 'primitivos' que o espreitavam. Como se a evocação do império português ou de seu deus, que nada significava para os primeiros habitantes do Brasil, tivesse selado a 'posse' da terra. Feito sua parte, Cabral deixa o Brasil e parte para o Oriente em busca de cargas rendosas, como descreve Dos Passos:

"O Brasil aparecia nos primeiros mapas como uma ilha do Atlântico. Quando a pequena frota de Cabral desembarcou em Porto Seguro ele parecia ter certeza de que era nessa ilha que ele estava chegando. Ele celebrou missa; anunciou aos indlgenass [8] que estavam se escondendo pue ele tomava posse da terra em nome de Dom Manoel I, rei de Portugal a senhor da Conpuista, Navegação e Comérrïio da Índia, Etiópia a Pérsía: a partiu para circundar o Cabo da Boa Esperança em busca das lucrativas cargas de especiarias que ele esperava encontrar no Oriente." [9]

A chegada dos portugueses ao litoral brasileiro tern merecido acurada revisão nos últimos anos a Dos Passos, tendo escrito seu livro nos anos 50, poderia ser injustíçado se julgado corn os olhos de quern o lê no final de século. O que reforça a crítica, entretanto, é que mesmo os acontecimentos da própria época foram vistos corn ótica distorcida por Dos Passos, dublê de jornalista a escritor social. Esse é o caso de Carlos Lacerda, para quern o escritor estadunidense reserva a imagem de "Apolo bronzeado de óculos" [10] : honesto (beleza interior, talvez daí a imagem de beleza) a intelectualizado (imagem representada possivelmente pelos óculos ou mesmo pela figura de um jornalista competente). Dos Passos projeta a si mesmo na descrição de Lacerda, inclusive descrevendo o governador da ex-Guanabara corn o 'bronzeado' que seu próprio nome the conferia em um país marcado por diferenças raciais. Mesmo após entrevistar Lacerda, Dos Passos não conseguiu a isenção profissional para enxergar o ex-governador da ex-Guanabara sem o viés do conservadorismo político em que ele próprio se afundara nos últimos anos.

Uys - trabalhando com um período iniciado no final do século XV consegue mostrar que havia vida anterior ao que o antropólogo Darcy Ribeiro com precisão chamou de "achamento" do Brasil. [11] À chegada do navegador português nas terras do litoral, os índios dividiam-se em dezenas de grupos tribais habitando aldeias que variavam de trezentos a 2 mil habitantes, sendo cerca de 1 milhão de índios na sua totalidade [12] . Em Portugal havia à época uma população total equivalente àquela dos índios do litoral brasileiro. Entretanto, enquanto nossos índios movimentavam-se neste país-continente, os portugueses movimentavam-se para fora de Portugal ampliando seu império além mar.

O mote para que Uys ligue o 'Novo' ao 'Velho' Mundo é Nicolau Gonçalves Cavalcanti que chega à 'Terra dos Papaguaios' entre os primeiros colonizadores portugueses. Cavalcanti é descendente, pelo lado paterno, "de uma longa linhagem mercadores florentinos que foram viver em Lisboa" [13] Pelo lado materno, trouxe "o sangue da velha Portugal - dos ibéricos a dos celtas, dos antigos navegadores fenícios a dos romanos da província Lusitânia, dos suábios e visigodos, a dos sensuais a inquisidores mouros, que dominarám a província por seis séculos." [14]

Errol Uys, seguindo Gilberto Freyre [15] que afirma ser a "singular predisposição do português para a colonização híbrida a escravocrata dos trópicos" explicada em grande parte por seu passado de indefinição étnica e cultural entre Europa a África, fez os Cavalcanti representar esse passado a os Silva, o futuro.

Amador Flores da Silva era neto de um mercador de escravos que se impôs a uma tupiniquim, uma representação ficcional do brasilíndio descrito por Darcy Ribeiro:
 
"Os brasilíndios ou mamelucos paulistas foram vítimas de duas rejeições drásticas. A dos pals, com quem queriam identificar-se, mas que os viam como impuros filhos da terra, aproveitavam bem seu trabalho enquanto meninos a rapazes e, depois, os entregavam às bandeiras, onde muito deles fizeram carreira. A segunda rejeição era do gentio materno. Na concepção dos índios, a mulher é um simples saco em que o macho deposita sua semente. Quem nasce é o filho do pai, a não da mãe, assim visto pelo índios. Não podendo identificar-se com uns nem com outros de seus ancestrais, que o rejeitavam, o mameluco caía numa terra de ninguém, a partir da qual constrói sua identidade de brasileiro.' [16]

No Brasil "construido a não sonhado" de Uys, o italiano Patrízio Tellerini representa a contribuição do imigrante à diversidade étnico-cultural brasileira e à construção de uma nova ordem trabalhista. Particularmente, o imigrante italiano em São Paulo vem substituir a mão de obra africana ameaçada pelo movimento abolicionista que impedia o tráfico de navios negreiros a libertava os escravos infantes a idosos, sem que aos recém-chegados fossem oferecidas condições de vida muito boas ainda que melhores que aquelas oferecidas a seus antecessores vindos da África. Esse quadro é descrito por Uys assim:

'- Na Itália não há esperanças para os camponeses, disse Aristides. - Quando visitei o país, pude ver a profundidade da pobreza. Duzentos a cinqüenta mil pessoas vivem nas ruas de Nápoles, dormindo nas calçadas, milhares de crianças entre elas. Os pobres lazzaroni sem teto andam pelas ruas, catando restos de comida no lixo. O camponês que tem trabalho, qualquer trabalho, dificilmente pode se dar por feliz porque todos têm que pagar altos impostos. Eu vi Nápoles no verão de 1883, antes que a grande epidemia de cólera a assolasse no ano seguinte. Como ela deve estar hoje, só Deus sabe, mas as famílias que aportarem em Santos podem ter esperanças de uma vida melhor do que lá.
  - Eu ainda acho deveríamos esperar até estarmos mais bem preparados para recebê-los.
  - Vinte famílias, Senhor Firmino, eles podem usar o velho armazém de café como dormitório. Só será por um mês ou dois.' [17]
 
Como bem mostra Uys, no início os imigrantes eram escolhidos com a cumplicidade da Sociedade Promotora de Imigração - da mesma forma que os escravos africanos, como animais com 'bons músculos a mãos fortes' para o trabalho:

"- Eu confio em você para fazer a escolha mais adequada, Ari.Aristidides riu. - Olhos claros! Bons músculos! Mãos fortes! Como um velho escravocrata inspecionando as peças? ....Eu trarei apenas os que demonstrarem vontade de permanecer a trabalhar com vontade.' [18]
 
Darcy Ribeiro diz que, embora o imigrante não seja numericamente expressivo, ele foi importante como formador de certos conglomerados regionais nas áreas sulinas em que mais se concentrou, criando paisagens "caracteristicamente européias a populações dominadoramente brancas" [19] . Apesar disso, quando o imigrante começou a chegar em maiores contigentes, a população nacional - composta pelo caldeamento dos primeiros habitantes indígenas com portugueses a africanos - já era maciça numericamente. Assim, o imigrante foi absorvido cultural a racialmente sem que houvésse grandes alterações no conjunto diferentemente dos países rio-platinos onde a etnia original foi submetida por massas de imigrantes que, representando quatro quintos do total, imprimiram característica eminentemente européia à sociedade e à cultura nacional.

A idéia de um país com amálgama racial é passada no Brasil de Updike que inicia seu romance descrevendo assim a praia de Copacabana:

"Preto é matiz do marrom. Da mesma forma é o branco, se você prestar atenção. Na praia de Copacabana, a mais democrática, populosa e perigosa do Rio de Janeiro, todas as cores se misturam em uma única, alegre a bronzeada cor de pele, cobrindo a areia com uma segunda a viva camada .... Mulheres estrangeiras muito brancas, canadenses ou dinamarquesas, vinhám a essa celebrada praia, a teuto- a polaco-brasileiras vindas de Sao Paulo e do Sul." [20]
 
De seu ângulo, estadunidense, Updike introduz uma visão do povo brasileiro a partir da origem: o indivíduo teuto-brasileiro, o ítalo-brasileiro, o nipobrasileiro. É justamente essa preocupação com a origem que, na visão de Dos Passos marcou a colonização inglesa de forma negativa. Dos Passos compara a colonização portuguesa no Brasil com a da América de fala inglesa onde aqueles que nasceram de uniões mistas eram execrados da sociedade. Ele enxerga o verdadeiro melting pot na sociedade brasileira onde ele acredita haver poucas tensões raciaís a onde os estrangeiros tiveram problemas em preservar sua própria identidade cultural. Ele escreve:
 
"Após duas gerações de casamentos interetnicos eles (os judeus) se misturaram com o resto da população. A mesma coisa parece estar acontecendo com os alemães a com os ítalianos que colonizaram os estados do Sul a com os ímigrantes europeus recentemente chegados no Rio a em São Paulo. Há uma qualidade de ameba na moderada cultura portuguesa que absorve os mais díversos eiementos. [21]
 
Contudo, mais adiante, Dos Passos descreve uma visita a Curitiba onde encontrou uma audiêncìa composts em grande parte por falntes do alemão provenientes de "famílias que estavam no Paraná há algumas gerações".
 
Updike, entretanto, perspìcasmente enxerga que, por detrás da miscigenação há um preconceito ligado à classe social. Seu herói negro, Tristão, só alcança expressão na socìedade quando troca de cor com sua amada Izabel, branca. Tristão é discriminado por Donaciano, do de Izabel, não porque seja negro mss por ser pobre:

"Eu não falo em cor. Eu sou daltônico, como a nossa constituição, em consonância com o temperamento herdado de nossos muito animadossenhores de engenho. Isto aqui não é a África do Sul, graças a Deus, ou os Estados Unidos. Mas um homem não pode se fazer do nada, ele precisa de bens. [22]

A mençáo dos senhores de engenho é uma alusão à própria situação de Donaciano, homem de posses, branco, que serve-se de sua criada Eudóxia, descrita como de sangue índio - uma assimetria racial a sexual da qual o Brasil de Uys tem vários exemplos. A fala de Donaciano tece a comparação quase inevitável do novo com o conhecido: o Brasil em contraste com os Estados Unidos, ou a África do Sul.

Da mesma forma que Updike a Dos Passos, Uys - que já havia feito através de mapas uma comparação territorial com os Estados Unidos - marca semelhanças a diferenças com o conhecido. Sua personagem Cadmus Rawlings representa as famílias de confederados estadunidenses que se fixariam a 130 quilômetros de São Paulo, fundando a comunidade de Santa Bárbara "que alguns chamavam de Vila Americana" [23] . Esses estadunidenses são também usados por Dos Passos: 

"Particularmente em São Paulo, você encontra famílias com sobrenomes none-americanos que descendem dos senhores de escravos que imigraram para o Brasil após a Guerra Civil. Há Smiths que não falam uma palaver de inglês" [24]

A personagem Rawlings de Uys enfatiza a diferença entre a herança escravocrata brasileira e a estadunidense na linha de Joaquim Nabuco que disse que, se nos Estados Unidos a escravidão fez a guerra entre brancos a negros ("...o preto [25] livre será a ruína de sua terra, como foi com a nossa"), no Brasil ela promoveu a fusão de raças [26] . A mesma visão é compartilhada por Gilberto
Freyre, que identificou a miscegenação como uma herança positiva na escravidão brasileira.

No Brasil que Dos Passos focou, o mito da democracia racial vem acompanhado de outro, o da tolerância religiosa ("junto com a tolerância racial, a tolerância religio$a é uma regra" [27] ). Ele aponta para o fato de uma cidade média brasileira oferecer quase tantas seitas quanto a cidade de Los Angeles novamente uma comparação com o conhecido.

Uys aponta para a existência de um sincretismo religioso que ele faz representar através de personagens como Nuno Fernandes, entre os bandeirantes, ou Babá Estefânia, entre os abolìcionistas. Próspero comerciante fornecedor das bandeiras, pertencente "a uma pequena comunidade de São Paulo composta pot cristãos novos - judeus compelidos a aceitarem o catolicismo" [28] , Nuno observava seus votos católicos enquanto, secretamente, reunia-se com outros para celebrar a velha religião. Ou Babá Estefânia que, "trazida ilegalmente das tetras de BaKongo após a proibição do tráfego de escravos em 1847" [29] , praticava magic negra embora como curandeìra, especialista em curs através de ervas, evocasse Deus a Cristo.

A visão que Uys apresenta do Brasil é forjada pot uma história de confrontos: a luta de estrangeiros contra nativos pela posse da terra, o conflito religioso a politico dos jesuítas com a coroa lusitana, o enfrentamento dos bandeirantes diante de obstáculos naturals de um país de extensão continental. Os Cavalcanti dão origem a uma aristocracia rural que se localiza no Nordeste, enquanto que os Silva representam os aventureiros que desbravam as tetras a sudoeste. Encontram-se no centro, em Brasilia, que também ocupa espaço recorrente nas obras de Updike a Dos Passos.

Mesmo louvando-se a pesquisa histórica que Uys fez, no Brasil a em Portugal, com o intuito de envolver suas personagens em fatos teals, é preciso reconhecer que nem sempre ele foi feliz. Também ele, como Dos Passos, contou episódios de nossa história tal qual eles Ihes eram apresentados ofìcialmente. Esse é o caso da Guerra-do Paraguai, o major conflito armado da América Latina e que, como mencionei anteriormente, mereceu de Uys um maps à parte. A história que Uys conta, que a guerra estourou pela ambição desmedida do general paraguaio Francisco Lopez, foi revisada. Não é apenas uma visão da história, mas uma versão dela, o que é contado pelos vencedores: os militares brasileiros que defenderam os interesses econômicos do Império Britânico, dominante àquela época na América do Sul. Ao invés de ser Solano Lopez um ditador que transformou um pequeno país em uma potëncia militar agressiva como o descreve Uys - o general paraguaio era um líder patriota dedicado à efetiva independência de sua terra a um adversário das oligarquias impostas a serviço do imperialismo britânico. Talvez por estar focando o Brasil, Uys não mostrou o que acontecia com o Paraguai que, embora enclausurado geograficamente, modernizou-se rapidamente a partir de 1845, tornando-se um país autônomo, livre de ingerências internas em sua economic a auto-suficiente na produção de tudo que precisava para consumo interno [30] .
 
Muito da nossa auto-estima deve-se ao mito da democracia racial sobre qual trabalham Uys, Dos Passos a Updike. Mitos não pretendem descrever realidades. Como escreveu o sociólogo Jessé Silva "mitos não são falsos ou verdadeiros, do mesmo modo que teorias científicas" mas servem "parà conferir um sentido a essa realidade" [31] . Realidade essa que, para nós, difere do modelo de exclusão estadunidense expresso através do princípio de que `os diferentes são iguais'. O sistema brasileiro, que inclui a hierarquiza seguindo o princípio do `desigual, mas junto', teve seu modelo explorado por John Updike que, embora juntando um negro a uma branca, permitiu a ascenção social do primeiro somente após a troca de pele.
 
Segundo Roberto Da Matta, a hierarquia social no Brasil está baseada na lógica complementar que, embora limite a ascenção aos diferentes, não os dispensa por assim o serem. Fundamentalmente porque "na ideologia racial brasileira, brancos, negros a índios são desiguais, mas complementares" [32] Tristão revela essa complementação porque, mesmo tornando-se branco por fora, ele tem uma interioridade a um passado que revelam suss origens, um passado 0 qual Donaciano não pode mudar:

"Ele (Donaciano) Babe que eu, em meu temo cinza, sou o mesmo lixo a quern ele proibiu sua sobrinha de namorar há vinte anos. Ele sabe mas não pode fazer nada a respeito.' [33]
A morte de Tristão traz à tons o paradigms racial acriticamente aceito no século XIX a começo deste século que determinava que o desenvolvimento de urns civilização superior em terra de mestiços não seria possível. Seria urns contradição, dado que "as funçôes superiores inteleetuais e morals que permitem a 'civilização' eram atributo da raça branca" [34]

Nas primeiras décadas deste século mudamos o paradigms racial para o cultural e a herança ibérica passou a ser a força negativa que nos tornava incapazes para urns democracia digna a um mercado de alts competitividade internacional. A força positiva que nos permitiria lá chegar seria urns herança protestante nórdica. Os Estados Unidos passariam a ser modelo até mesmo na questâo racial, mesmo que a esse respeito pouco tivesse para ensinar. A piada escolhida por John Dos Passos para abrir seu livro é reveladora Jesse "complexo de inferioridade interiorizado a legitimado cientificamente" [35]

"Os brasileiros são grandes contadores de piadas acerGa de si prt5prios. Uma piada que se contava há alguns anos é sobre Deus a seu aroanjo no terceiro dia da criação. Quando Jeová hauls terminado de fazer o Brasil, ele náo conseguiu evitar de se gabar diante de um de sews arGanjos. Ele plantara as maiores florestas a colocara o major sístema íluvial do mundo a construíra urns magnífica corrJilheira de montanhas corn maravilhosas baías a praias marítimas. Enchera os montes de topázio a águamarinha a espalhara ouro a diamantes nos rios Ele arranjara um clima livre de furacões a tememotos onde se poderia cultivar qualquer tipo de fruto.
 - É justo, Senhor,- perguntou o arcanjo - dar tanto beneficio a um só país?
Espere - respondeu Jeová - até você ver o povo que eu you colocar lá." [36]
 
Embora Dos Passos, Uys a Updike, mesmo marcados por épocas distintas, tenham trabalhado visões do Brasil distintas a carregadas sobremaneira por suas próprias identidades; seus olhares reincidem sobre alguns pontos comuns, entre os quaffs a democracia racial, o sincretismo religioso e a expansão territorial. Ao usar como recurso literário, mudanças na lingua de emissão de suss mensagens, os três autores algumas vezes enfatizam esses temas, embora em outras explorem novos como veremos a seguir.

3.Mudança de código a empréstimo em textos literários.
A mudança de código lingüístico é um dos fenômenos mais estudados em bilingüismo. Trata-se do use alternado de duas ou mais línguas em uma interação, o que pode envolver uma palavra, expressão ou uma ou várias sentenças. O elemento trocado força a total integração das línguas em alternância, fazendo com que o sentido do enunciado se complete pelo use de ambas.

A ocorrência da mudança de código depende de vários fatores como os interagentes (quem são as pessoas que falam/escrevem a escutam/lêem), a situação (contexto) e o tópico abordado. Nem sempre é fácil a distinção entre mudança de código a empréstimos lingüísticos , sendo que estes podem desencadear a mudança de código em falantes bilíngües" [37]

Enquanto a mudança de código tern sido estudada no nível da fala (parole), o empréstimo tern sido analisado no nível da lingua ( langue ) pois o empréstimo é a integração fonológica ou morfológica de uma palavra ou expressâo de outra lingua à lingua em uso. [38] Ele pode ser utilizado tanto por bilíngües como por monolíngües.

Pares Leonard Bloomfield os empréstimos podem ser classificados como íntimos, dialetais a culturais' [39] . O empréstimo íntimo é resultado da convivênciá de duas línguas no mesmo território, por exemplo o caso do guarani e do espanhol no Paraguai. O empréstimo dialetal realizes-se entre falares da mesma lingua (variantes regionais, socials a jargões especializados), por exemplo o use que Chico Buarque fez do termo 'guri', vindo do falar gaúcho, na descrição que uma mãe faz de seu filho em O meu guri. [40] Por último, o, empréstimo cultural (ou externo), que é o mais comum, resulta de contatos politicos, socials e comerciais; podendo ser exemplificado com os inúmeros vocábulos provenientes da lingua inglesa trazidos pares o português por usuários do sistema computacional. Dessa terceira ordem, são os empréstimos utilizados por Updike, Uys a Dos Passos em seus 'brazils'.

Um dos grandes estudiosos dos fenômenos lingüísticos que envolvem os falantes bilíngQes, Uriel Weinreich afirma que os empréstimos léxicos, feitos pares designar coisas, podem resultar do fato de que as designações já prontas são mais econômicas do que aquelas que precisam ser descritas. "Pouco usuários da lingua°, afirma Weinreich, "são poetess°. [41] Sem querer fazer apologia ao abuso de estrangeirismos na nossa própria lingua principalmente anglicismos nos dias atuais - eu diria que alguns usuários da lingua são poetess a por isso sabem usar empréstimos, ou mesmo mudanças de código.

Tanto a mudança de código como o empréstimo são características muito comuns na fala bilíngüe a alguns escritores a poetess refletem isso em seus trabalhos literários. Clássicos exemplos de mudança de código na prosa sâo Guerra a Paz de Leon Tolstoi (russo/francês) e 0 amante de Lady Chatterley de D. H. Lawrence (inglês padrão/Derbyshire). Na poesia temos os versos do mexicano Pedro Ortiz Vasquez que alterna inglês a espanhol como forma de enfatizar o conteúdo de seus versos:

it's so strange in here
todo to que pa
is so strange
y nadie puede entender
que to que pass aquí
isn't any different
de to que pass allá
where everybody is trying
to get out
move into a better place
al lugar where we can hide
 where we don't have to know
 quienes somos
 strange people of the sun
 lost in our own awareness
 of where we are
 and where we want to be
 and wondering why

it's so strange here [42]

5. Comentários finais.

 
O psicanalista Erik Erikson diz que para identificar qúalquer objeto é preciso: (1) distingui-to de outro objeto; (2) atribuir-lhe um significado; a (3) conferir-lhe um valor. [56] Uys, Dos Passos a Updike distinguem o Brasil a partir das realidade estadunidense que conhecem usando, pats isso, até nominações ou interjeições em português.

O Brasil, o novo objeto, recebe significados que muitas vezes acentuam as carências do primeiro objeto, os Estados Unidos, a acentuam-the as qualidades. Os significados são, como elemento conceptual, idéias, visões de Brasil. O Brasil é um lugar onde há democracia racial, um povo bem humorado e hospitaleiro, liberdade sexual, exuberância de sol a praias, diversidade na flora e fauna a exotismo na culinária. Mas, onde existe burocracia emperrada, política caótica, injustiça social enorme a desigualdade sexual aceita como traço cultural. Os chavões usados passam a set recursos estilísticos pats a acentuação dessa representação, a representação de facetas de uma verdade.

5. Comentários finais.

 
O psicanalista Erik Erikson diz que para identificar qúalquer objeto é preciso: (1) distingui-to de outro objeto; (2) atribuir-lhe um significado; a (3) conferir-lhe um valor. [56] Uys, Dos Passos a Updike distinguem o Brasil a partir das realidade estadunidense que conhecem usando, pats isso, até nominações ou interjeições em português.

O Brasil, o novo objeto, recebe significados que muitas vezes acentuam as carências do primeiro objeto, os Estados Unidos, a acentuam-the as qualidades. Os significados são, como elemento conceptual, idéias, visões de Brasil. O Brasil é um lugar onde há democracia racial, um povo bem humorado e hospitaleiro, liberdade sexual, exuberância de sol a praias, diversidade na flora e fauna a exotismo na culinária. Mas, onde existe burocracia emperrada, política caótica, injustiça social enorme a desigualdade sexual aceita como traço cultural. Os chavões usados passam a set recursos estilísticos pats a acentuação dessa representação, a representação de facetas de uma verdade.

E que valor tem este novo objeto? Certamente nâo editorial, pois os 'brazis' de Updike, Uys a Dos Passos tiveram fraca vendagem de livros. O major valor talvez seja o'de provocar em nós, brasileiros, uma movimentação pats que de um novo ponto de visão possamos refletir sobre a realidade social que nos cerca a que não enxergamos na totalidade.
E que valor tem este novo objeto? Certamente nâo editorial, pois os 'brazis' de Updike, Uys a Dos Passos tiveram fraca vendagem de livros. O major valor talvez seja o'de provocar em nós, brasileiros, uma movimentação pats que de um novo ponto de visão possamos refletir sobre a realidade social que nos cerca a que não enxergamos na totalidade.
 
Nesse poems, por exemplo, a mudança de código é usada como um recurso metalingüístico pare permitir que o poets passe a imáger'n de um lugar conhecido (onde se fala espanhol, sue lingua primeira) pats outro, estranho (onde se fala inglês).

Do mesmo recurso usou o poets brasileiro Vinicius de Moraes, alternando o código lingüístico do português pats o inglês tom o intuito de descrever um episódio de conflito racial acontecido nos Estados Unidos. Enquanto o português é usado pats narrar o episódio, o inglês é usado pats expressar empatia tom a mãe do jovem assassinado em sue própria lingua.
Os assassinos de Emmett
Poor Mamma Till!
Chegaram sem avisar
Poor Mamma Till!
Mascando tacos de vidro
Poor Mamma Till
Poor Mamma Till!
Com cams de cal.
Os assassinos de Emmett
Poor Mamma Till!
Entraram seen dizer nada
Poor Mamma Till!
Com seu hálito de couro
Poor Mamma Till!
E seus olhos de punhal.
I hate to see that evenin' sun go down ...
Os assassinos de Emmett
Poor Mamma Till!
Descarregaram-lhe em cima
Poor Mamma Till!
O fogo de suas armas.
Enquanto contendo 0 orgasmo
Poor Mamma Till!
A mulher faz um guisado
Poor Mamma Till!
Para esperar o marido
Poor Mamma Till!
Que aseu mando foi vingá-la.
Oh how I hate to see that evenin' sun go down ... [43]
 
Em trabalho anterior analisei o fenômeno da mudança de código em O amante de Lady Chatterley do inglês D. H. Lawrence. A pérsonagem Mellors, guarda-caça da propriedade dos Chatterley, alterna em sua fala o inglês padrâo para a variante regional de Derbyshire, recorrendo a esta variante lingüística toda a vez que interagia com Constance, sua patroa a amante, que pouco entendia Derbyshire. Predominantemente nas cenas de interlúdio amoroso, o use do Derbyshire concedia a Mellors o domínio lingüístico - simbólico da dominaçâo sexual que ele também exercia sobre aquela mulher, casada com um sujeito emasculado pela guerra. Na tradução da obra de Lawrence para o português, se não trabalhada a função metafórica dessa alternância no código lingüístico, podese perder muito da personagem e, até mesmo, de momentos significativos do trabalho como um todo." [44]

4. Alternância lingüística em Updike, Uys a Dos Passos.
Neste estudo em particular, minha preocupação é corn a contribuição que o conhecimento sobre mudança de código a empréstimo pode dar à interpretação do texto literário nos trabalhos de Dos Passos, Uys a Updike.

Normalmente, para corn obras literárias não se desenvolvem as atitudes negativas que, não raramente, esses fenômenos lingüísticos despertam em interações orals. Às vezes eles são vistos como misturas agramaticais de duas línguas, outras como ofensa ao sistema lingüístico dos monolíngües (geralmente predominante) ou, até mesmo, como uma demonstração de falta de competência em uma a outra lingua em alternância.

Não tenho claro o real domínio que Dos Passos, Uys ou Updike tinham do portuguës brasileiro ao escreverem seus livros. Dos Passos confessa que, ao tentar dizer a Israel Pinheiro que eles tinham muita coisa em comum, ele se atrapalhou já que nem o inglês de um ou o português do outro sustentavam uma explicação [45] . Dos Passos trabalhara como repórter no Brasil por onde fez inúmeras viagens convivendo corn falantes nativos, muitas vezes monolíngues em português brasileiro.

Uys, que levou cinco anos escrevendo seu livro, também viajou muito pelo Brasil, tendo percorrido 25.000 milhas (cerca de 40.000 quilômetros) de ônibus - uma volts ao mundo pelo Brasil! Entretanto, o use que faz do português pode ter sido apenas um recurso metalingüístico para melhor situar o leitor na realidade descrita. É Uys quern mais usa termos emprestados do português, mss é ele também quern escreveu o mais longo dos três livros e, como disse anteriormente, o que cobriu mais largo período de nossa história como pano de fundo para suss estórias.

Em Updike sente-se às vezes que os empréstimos feitos ajudam a construir imagens um tanto atípicas do Brasil como, por exemplo, em um apartamento de classe média alts, no meio da tarde de um dia de verão no Rio de Janeiro, alguém oferecer acarajé corn vitamins e a possibilidade de mais um cafezinho para finalizar.

Também usando termos emprestados do português, alguns já incorporados ao inglês (por exemplo mulatto), -Updike força a ímagem do caldeirão racial a étnico fazendo a descriçâo física do povo brasileiro com um númera major de matizes dos que apontara na descrição de Copacabana, o 'microcosmos da democracia racial brasileira'. Seus sujeitos são "branquelos", "claros", "pardos" a "bugres"; "cafuzos"; "mamelucosn, "mulattos claros" e "pardovascos"; passando por "paulistas" a "nordestinos" - seja lá goal for a combìnação de cores desses doffs últimos grupos.

Uys também faz uma descrição do povo brasileiro repleta de empréstimos embora, sem se deter nos grupos raciais mesclados (cafuzos, mamelucos, etc), apresente cores a tonalìdades, ligando-as ao forte preconceito econômico no Brasil:

"Modesto was extremely color- and class-conscious in the feudallike society to which he belonged. Fazendeiros like Heitor Ferreira and the owners of the engenhos at the coasf were the great men of the earth, the rich. Modesto had yet to see one of the ricos who was not branco , a white, or a branco da terra , a white of the earth - a qualification indicating that though there were evidence of the color, the senhor was of sufficient prestige or wealth to be accepted as white. Between the brancos and the pr êtos (sic), Modesto recognized a bewildering variety of humanity.
 
Thero were the natives of the land, though Modesto had rarely seen true savages, the nearest tribes being hidden in the forests far west of the caatinga. There were the mulattoes, dark- and light-skinned, whom Modesto considered proud and impudent. There were the morenos , who were claro , light brunet; alvo , pure white; cor de canela ; cinnamon-colored; a escuro , dark brunet. [46]
 
Dos Passos usa o recurso da alternância de códigos para melhor caraeterizar a hospitalidade a efusividade brasileiras:
 
"Our first stop on the flight north ... By the time I'd fished some money out of my pocket to pay for my account, the stewarcl had already settled it. Muito obrigado . A little embarassing, this Brazilian hospitality, but it does make a foreigner feel they are glad to have him there" [47]
'The local doctors had come to meet us at the station. Abraços a felicidades ." [48]
"At São Miguel the country is even hillier. The people waiting for us at the airstrip are welldressed. Everything looks prosperous. Abraços, felicidades . Great enthusiasm. [49]
'We are ushered into a neat building .... Tiny glasses of cachaça are brought out on trays. Congratulations are in order. Felicidades. Toasts. Dr. Israel makes a short Speech. [50] After a great deal of steak and rice washed down by Portuguese wine to the tune of that most initiating Brezilian toast: 'As nossss boss qualidedea que não são poucas (To our good qualities, which are not few)' - we sat a long time talking and smoking." [51]
No último exemplo de Dos Passos há imediata trádução do trecho alternado, já mais longo. Esse é um recurso adotado também por falantes bilíngües que assim evitam a exclusão de interlocutores monolíngües.

Em outro exemplo, citado abaixo, Dos Passos usa a repetição de uma mesma expressão em duas línguas sublinhando o sentido da própria expressâo a evocando a imagem de grandeza trazida por ela ("uma infinidade de léguas"). A repetição é em si uma figura de linguagem usada para enfatizar o sentido a criar major expressividade. Usando-a Dos Passos chama a atençâo para o vício do exagero na fala brasileira:

"Sayão was in Amaro Leite . ... He would be back this afternoon, he announced. É certo . How far was Amaro Leíte? The stocky man spread out his eyes. Uma infinidade de leguas (sic) ... An infinity of leagues. [52]

A mudança de código provocada pelo anúncio da próxima chegada de Sayâo (que estava em Amaro Leite) traz uma crítica às promessas de cumprimento de horários no Brasil. Um "homenzinho atarracado", brasileiro, disse que Sayão viria à tarde. Dos Passos confirms na lingua dele, não na sua, a informação - como se com o uso da lingua do outro ele não se comprometesse corn o que fora anunciado.

Updike usa a mudança de código em algumas cenas de intimidade entre os amantes como quando Tristão chama Izabel, agora não mais branca, de 'negrinha' a expressa carinho através do use do diminutivo - use este característico do português brasileiro:

"The Amazon would flow backward to the Andes were I to hate you. You are my love-slave, my blueeyed negrinha ." [53]

Updike também faz use da mudança de código em cenas de grande expressividade emocìonal onde palavrões são pronunciados. É o caso da cans qua Izabel tents romper a hostilidade da mãe de Tristão, tentando forçá-la a reconhecer "a maravilha do amor compartilhado por ela a Tristão" enquanto Úrsula responde corn um palavrão. Também é o caso da cans qua sucede ao ménage-a-trois armado por Izabel. Em ambas cenas, o autor trabalha a carga emotiva corn o use do português:

"Porra! The woman obscenely exclaimed, yet grinning. [54]
" - You let yourself sink into the warm shit, porra at both ends.
Sim! Sím! she cried, ... [55]

Há uma certa coincidência nos termos emprestados do português porque há sobreposição das imagens do Brasil nas obras de Updike, Uys and Dos Passos. Para as principals imagens veiculadas, eu selecionei nos quadros abaixo os termos u~ados por cada um dos trës autores.

5. Comentários finais.
O psicanalista Erik Erikson diz que para identificar qúalquer objeto é preciso: (1) distingui-to de outro objeto; (2) atribuir-lhe um significado; a (3) conferir-lhe um valor. [56] Uys, Dos Passos a Updike distinguem o Brasil a partir das realidade estadunidense que conhecem usando, pats isso, até nominações ou interjeições em português.

O Brasil, o novo objeto, recebe significados que muitas vezes acentuam as carências do primeiro objeto, os Estados Unidos, a acentuam-the as qualidades. Os significados são, como elemento conceptual, idéias, visões de Brasil. O Brasil é um lugar onde há democracia racial, um povo bem humorado e hospitaleiro, liberdade sexual, exuberância de sol a praias, diversidade na flora e fauna a exotismo na culinária. Mas, onde existe burocracia emperrada, política caótica, injustiça social enorme a desigualdade sexual aceita como traço cultural. Os chavões usados passam a set recursos estilísticos pats a acentuação dessa representação, a representação de facetas de uma verdade.

E que valor tem este novo objeto? Certamente nâo editorial, pois os 'brazis' de Updike, Uys a Dos Passos tiveram fraca vendagem de livros. O major valor talvez seja o'de provocar em nós, brasileiros, uma movimentação pats que de um novo ponto de visão possamos refletir sobre a realidade social que nos cerca a que não enxergamos na totalidade.


John Updike, John Dos Passos, Errol Lincoln Uys - Comparison 1
Quadro 1: Caldeirão étnico a racial brasileiro
John Updike, John Dos Passos, Errol Lincoln Uys - Comparison 2
Tabela 2: Caracterização de pessoas
John Updike, John Dos Passos, Errol Lincoln Uys - Comparison 3
Quadro 3: Conflito social a assimetria nas relações de poder
John Updike, John Dos Passos, Errol Lincoln Uys - Comparison 4
Quadro 4: Diversidade geográfica
John Updike, John Dos Passos, Errol Lincoln Uys - Comparison 5-2
Quadro 5: Aspectos da culture
John Updike, John Dos Passos, Errol Lincoln Uys - Comparison 1B - English
Table 1. Brazilian melting pot
John Updike, John Dos Passos, Errol Lincoln Uys - Comparison 2B - English
Table 2: People
John Updike, John Dos Passos, Errol Lincoln Uys - Comparison 3B - English
Table 3: Social conflict and assimetry in power relations
John Updike, John Dos Passos, Errol Lincoln Uys - Comparison 4B - English
Table 4: Geographic diversity
John Updike, John Dos Passos, Errol Lincoln Uys - Comparison 5B - English
Table 5: Cultural Aspects


Referências bibliográficas:

CUNHA, M. J. A mudança de código n'O Amante de Lady Chatterley: reflexão crítica sobre a tradução da fala da personagem Mellors no romance de D. H. Lawrence, O ensino da tradução (Anais do Y Encontro de Nacional de Tradutores), Porto Alegre, UFRGS, 1987, pp. 227-42.

DA MATTA, R. Notas sobre o racismo à brasileira, in J. Silva (org.) Multiculturalismo e racismo: uma comparação Brasil-Estados Unidos . Brasilia: Paralelo 15, 1997, pp. 69-74.

DOS PASSOS, J. Brazil on the move. Nova York, Paragon House Publishers, 1963.

GOSJEAN, F. Life with two languages. an introduction to bilingualism. Cambridge, Harvard University Press, 1982.

HAUGEN, E. Bilingualism in the Americas: a bibliography and research guide. Alabama, EUA: Alabama University Press, 1956.

FREYRE, G. Casa grande a senzsla. Brasilia: Editors da Universidade de Brasilia, 1963.

RIBEIRO, D. O povo brasileiro. A formação e o sentido do Brasil. São Páulo: Companhia de Letras, 1995.

SILVA, J. (org.) Multiculturalismo a racismo: uma comparação Brash-Estados Unidos. Brasilia: Paralelo 15, 1997, pp. 69-74.

Multiculturalismo, racismo a democracia. Por que comparar Brasil e Estados Unidos?, in: J. Silva, 1997, pp. 23-35.

UPDIKE, J. Brazil. Nova York, Fawcett Columbine, 1994.

UYS, E. L. Brazil. Nova York, Simon & Schuster, 1986.

WEINREICH, U. Languages in contact. Hague: Mouton, 1968.

Footnotes:

[1] Ver 'O gigante adormecido desperta: o Brasil de John Dos Passos', escrito por Tom Burns, a 'O Brasil e o Brasil de John Updike', por Dilvo Risto1X nas secções 11.4. a 11.5 deste livro.

[2] Ver Mead, How an anthropologist writes, in Male and female: the classic study of sexes Nova Quill, 1996 (pub. ant. W. Murrow, Nova York, 1975)

[3] 'Brazil de E. L. Uys foi primeiramente publicado nos Estados Unidos, pela editora Simon & Schuster, nos Estados Unidos 1986 e, um ano mais tarde, pela Pan Books, na Inglaterra. No Brasil, foi traduzido por Jusmar Gomes a publicado pela Best Seller, São Paulo, em 1986.

[4] Uys, 1987, p. 84.

[5] Ver nota 3.

[6] Ver N. Hawthorne. The sacarlet letter, Penguim, Harmondsworth, 1974; A. Miller. The crucible: a play in four acts, Penguim, Harmondsworth, 1976.

[7] "It was ... in the year 1500 that Pedro Alvares Cabral, in sailing a westerly course on his passage to India to avoid the calms off Africa that had so baffled Vasco da Gama, found himself, quite by accident, in Brasil.

(Dos Passos, 1963, p. 3; tradução nossa no corpo do trabalho).

[8] Em inglês, o use da palavra Indian carrega ambigiüdade podendo significar.o habitante da Índia ou o das Américas. Em português, pode-se diner indiano, para o habitante da Índia a índio para o primeiro habitante das Américas. No texto original, Dos Passos usa a palavra 'Indian' que em si acarreta a visão colonialista da chegada do europeu à America. Naturalmente, Dos Passos escreve nos anos 50, antes da consciência crítica da linguagem ser considerada um procedimento metodologia de releitura do mundo social. A respeito ver Norman Fairclough (org.) Critical Language Awareness. 1.ondres: Longman, 1992.

[9] "Brazil appeared on early maps as an Atlantic island When Cabral's little fleet sailed into Porto Seguro he seems to have taken it for granted that it was this island he was landing on. He celebrated Mass; announced to the Indians lurking about that he was taking possession in the name of Dom Manoel the First, King of Portugal and Lord of the Conquest, Navigation and Commerce of India, Ethiopia, and Persia; and sailed away to round the Cape of Good Hope in search of the profitable cargoes of spices he was hoping for in the Orient." (Dos Passos, op. cit., p. 4).

[10] op. cit., p. 155.

[11] Ribeiro, 1995, p. 39.

[12] Sobre essa estrutura social, ver Florestan Fernandes, A organização social dos Túpinambás. Progresso Editorial, 1949.

[13] Uys, op. cit., p. 83.

[14] ibidem, pp. 83-4.

[15] Freyre, 1963, p. 70.

[16] Ribeiro, op. cit., pp. 108-9.

[17] "There's no hope in Italy for the peasants," Aristides said. "When I toured the country I saw the depth of poverty. A quarter of a million live in the Naples streets, sleeping on the pavements, thousands of children among them. The homeless poor - lazzaroni - stampede around the vilest street kitchens. The peasant who has work, is scarcely more fortunate, for the people are taxed mercilessly. I saw Naples in the summer of 1883, before the great cholera epidemic that struck the next year. What it's like today, God only knows, but the families who land at Santos can hope for a life better than they've ever known." (Uys, op. cit., p. 855; tradução nossa no corpo do trabalho).

[18] Aristides laughed. "I rely on you to make the best choice, Ari." Aristides laughed. "Clear eyes! Good muscles! Strong hands! Like an old slaveocrat inspecting his stock? ...I will bring only those who show a willingness to settle down and work hard." (ibidem)

[19] Ribeiro, op. cit , p. 242.

[20] "Black is a shade of brown. So is white, if you look. On Copacabana, the most democratic, crowded, and dangerous of Rio de Janeiro's beaches, all colours merge into joyous, sun-stunned flesh color, coating the sand with a second, living skin .... Very white foreign women, Canadians and Danes, came to this celebrated beach and Germam and Polish Brazilians from São Paulo and the South." (Updike, p. 3; tradução nossa nocorpo do trabalho)

[21] After a couple of generations of intermarriage they (the Jews) melted away into the rest of the population. The same thing seems to be happening to the Germans and Italians who colonized the southern states and to recent European immigrants pouring into Rio and São Paulo. There is an amoebalíke quality about the mild Portuguese culture which absorbs the most diverse elements." (Dos Passos, op. cit., p. 9)

[22] "I do not speak of color. I am color-blind, like our constitution, in tune with the national temperament we inherited from the grand-spirited sugar planters. This is not South Africa, thank God, or the United States. But a man cannot make himself out of thin air, he must have materials." (Updike, op.cit., p. 23)

[23] Uys, op. cit., p.

[24] "Particularly in Sao Paulo you meet families with North American surnames that date back to the southjern slaveholders who imigrated to Brazil after Civil War. There are Smiths who don't speak a word of English." (Dos Passos, op. cit., p. 10

[25] 'No texto original Uys uia nigger na fala de Rawlings, uma expressão racista. No Brasil é preto que se configura como uma expgessão racista. "...the free nigger will be the ruin of your land. Just as it was with us." (Uys, op. cit, p.866)

[26] Ver Joaquim Nabuco, Minha Formação, Rio de Janeiro: Topbooks, 1999.

[27] Dos Passos, op. cit., p. 11.

[28] Uys, op. cit., p. 266.

[29] idem, p. 858.

[30] A respeito da Guerra do Paraguai, ver de Júlio José Chiavenatto, Genocidio americano: a Guerra do Paraguai. (Editora Brasiliense, 1979) a de Manlio Cancogni a Ivan Boris, Solano López: o Napoleão do Prata (Civilização Brasileira, 1975).

[31] Silva, 1997, p. 31.

[32] Da Matta, 1997, p. 72.

[33] "He knows that I in my gray suit am the same trash he forbade his niece to go with twenty years ago. He knows, but can't do anything about it." (Updike, op. cit., p. 249)

[34] Silva, op. cit., p. 31.

[35] idem, ibidem.2

[36] "The Brazilians are great people in telling stories on themselves. One story that was going the rounds a few years ago was about God and an archangel on the third day of cretion. When the Lord Jeovah has finished making Brazil he can't help bragging a little to one of the archangels. He's planted the greatest forests and laid out the world's biggest river system and built a magnificent range of mountains with lovely bays and ocean beaches. He's filled the hills with topaz and acquamarine and sowed the rivers with gold dust and diamonds. He's arranged a climate free from hurricanes and earthquakes which will grow every conceivable kind of fruit. 'Is it fair, Lord,' asks the archangel, 'to give so many benefits to just one country?T 'You wait,' says the Lord Jehovah, 'till you see the people I'm going to put there." (Dos Passos, op. cit., p. I)

[37] Aqui não estou necessariamente considerando como bilíngües apenas o indivíduo que têm completo domínio de duas línguas (o sujeito ambilíngüe), caso hoje considerado como idealizado já que - por questões de use a funções, ou de identidade a solidaridade a seu grupo lingüístico original - ele ora mostra maior comando em uma, ora em outra lingua.

[38] Minhas posições sobre mudança de código seguem as de Grosjean, 1982 a Haugen, 1956.

[39] Sobre empréstimo, vcr Leonard Bloomfield, Language. Nova York: Holt, Rinehart a Winston, 1961; e Nelly Carvalho. Emprésdmos lingüislicos. São Paulo: Ática, 1989.

[40] Ver Francisco Buarque de Holanda, O meu guri, ,Série Grandes Nomes, Faixa 4, Gravadora Polygram, 1994.

[41] Weinreich, 1968, p. 57.

[42] Nossa tradução em português, sem observância da trots de línguas, é: "é tão estranho aqui/tudo o que acontece/é muito estranho/e ninguém pole entender/que o que acontece aqui/não é diferente/do que se passa lá/onde todos estão tentando/sair/item-se pats um lugar melhor/um lugar onde nós possamos nos esconder/onde nós não temos que saber/quern somos/pessoas estraribas do~sol/perdidas em nossa própria consciência/de onde nós somos/e onde queremos ester/e imaginando pot quê/é tão esaanho aqui" (P. O. Vasquez, Quines somos, The Bilingual ReviewlLa Revista Bilingile 2, 1975:293-294).

[43] V. Moraes. Blues para Emmett Louis Till, o negrinho amerciano que ousou assoviar para uma mulher branca, in Para Viver um grande amor: crónicas a poemas. Sáo Paulo: Companhia de Letras, 1991, pp. 133-34.

[44] Ver Cunha, 1987.

[45] Dos Passos, op. cit., p. 72.

[46] '6 "Modesto tinha muita consciência de classe a cor na sociedade feudal a goal pertencia. Fazendeíros como Heitor Ferreira a os donos de engenho do litoral eram os homers mais importantes do mundo, os ricos. Modesto estava por ver um rico que não fosse bran, ou branco da terra - uma qualificação que indicava que apesar de haver evidência de cor, o senhor tinha prestígio ou riqueza para ser aceito como branco. Entre brancos a pretos, Modesto reconhecia uma desnorteante variedade de tipos. Havia os nativos da terra, embora Modesto raramente tivesse vísto selvagens de verdade, as tribos mais próximas estavam escondidas na floresta muito a oeste da caatinga. Havia os mulato, de pele clara ou escura, a quern Modesto achava orgulhosos a impudentes. Havia os morenos, que eram clams; alvos; cor-de-canela; a escuros." (Uys, op. cit. 671, tradução nossa, sem mudança de código).

[47] "Nossa primeira parada no vôo em direção ao norte ... Na hora que eu consegui achar o dinheiro no bolso para pagan pelo meu côco, a aeromoça já tinha acertado. Muito obrigado. Um pouco embaraçosa essa hospitalidade, mas faz com que o estrangeiro sinta como eles estão felizes por tê-to ali." (Dos Passos, op. cit, p. 17, tradução nossa, sem mudança de código).

[48] "Os doutores do lugar vieram nos receber na estação. Abraços a felicidades." (idem, p. 24, trad. nossa)

[49] "Em São Miguel o terreno parecia mais íngreme. As pessoas que nos esperam na pista estão bem vestidas(idem, p. 200, trad. n.)

[50] "Nós somos conduzidos para um bonito edificio ... Copos miúdos de cachaça são trazidos em bandejas. As congratulações estão na ordem do dia. Felicidades. Brindes. Dr. Israel faz um pequeno discurso." (idem, p. 71, trad. n.)

[51] "Após uma grande quantidade de carne a arroz regados a vinho português até o ponto do mais insinuante brinde brasileiro: 'às nossas qualidades que não são poucas.' - nós sentamos um tempão conversando e fumando". (idem, p. 36, trad. n.)

[52] Sayão estava em Amaro Leite . ...Ele voltaria esta tarde, ale anunciou. É certo. Qual a distância de Amaro Leite? O homenzinho entruncado abriu seas braços. Uma infinidade de léguas... Uma infinidade de léguas." (idem, p. 50)  

[53] Updike, op. cit, p. 238.

[54] Porra!- a mulher obscenamente exclamou, ainda gargalhando." (idem, p. 34)

[55] yocê se deixa afundar na merda quente, com porra dos doffs lados. - Sim! Sim! ela gritou, ..." (Updike, op. cit., p. 50, trad. n.)

[56] Vet de Erik Homburger Erikson, Identidade, juventude a crise (trad. Álvaro Cabral), Rio de Janeiro: Zahar, 1972; Insight and responsability: lectures on the ethnical implications of psychoanalytic insight. Nova York: W. W. Norton, 1964; a Dimensions of a new identity, Nova York, W. W. Norton, 1979.


BRAZIL by Errol Lincoln Uys

SHARE THIS PAGE!